Editor Bringhenti

CAPÍTULO 36

A Ascensão – O Rei Entronizado

A Vida do Mestre Jesus O Cristo

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Quarenta dias após a ressurreição, Jesus reúne Seus discípulos uma última vez. Durante este período, Ele lhes apareceu repetidamente, "dando-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus." (Atos 1:3)

Estes quarenta dias foram um tempo de instrução intensiva, consolidando a compreensão dos discípulos sobre o Reino e preparando-os para sua missão futura. O número quarenta evoca outros períodos significativos de preparação nas Escrituras: os quarenta dias de Moisés no monte, os quarenta dias de Elias no deserto, e os quarenta dias de Jesus no deserto antes de Seu ministério.

O encontro final ocorre no Monte das Oliveiras, próximo a Betânia. Os discípulos ainda mantêm algumas expectativas nacionalistas, perguntando: "Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?" (Atos 1:6) Esta pergunta revela que, apesar dos ensinamentos de Jesus, eles ainda esperavam primariamente uma restauração política da nação de Israel.

Jesus responde redirecionando seu foco: "Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra." (Atos 1:7-8)

Em vez de especulações sobre cronogramas apocalípticos, Jesus os direciona para sua missão imediata – ser testemunhas com o poder do Espírito, começando localmente e expandindo-se globalmente.

Lucas então descreve o evento da ascensão com simplicidade solene: "Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles." (Atos 1:9)

A "nuvem" evoca a shekinah – a manifestação visível da presença de Deus no Antigo Testamento (Êxodo 13:21, 40:34-38). Também lembra a nuvem da Transfiguração (Lucas 9:34-35) e antecipa a nuvem do retorno de Cristo (Apocalipse 1:7).

Enquanto os discípulos olham fixamente para o céu, dois anjos aparecem e lhes dizem: "Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir." (Atos 1:11)

Esta declaração angélica reorienta os discípulos do fascínio com a partida de Jesus para a expectativa de Seu retorno futuro e para sua missão presente. A ascensão não é apenas um final, mas também um começo – o início da era da igreja, operando sob a autoridade de Cristo e na expectativa de Sua volta.

Marcos acrescenta um detalhe significativo: "Depois do Senhor Jesus lhes ter falado, foi elevado ao céu e assentou-se à direita de Deus." (Marcos 16:19) Esta referência à posição "à direita de Deus" evoca o Salmo 110:1 – "Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita até que eu faça dos teus inimigos um estrado para os teus pés." – um texto messiânico que Jesus havia aplicado a Si mesmo (Mateus 22:44).

Sentar-se à direita de Deus representa a posição de suprema autoridade e honra. A ascensão não é uma retirada de Jesus do mundo, mas Sua entronização como Rei cósmico, exercendo autoridade sobre todo o universo.

Os discípulos respondem a este evento extraordinário com adoração e alegria: "Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, louvando a Deus." (Lucas 24:52-53)

Esta resposta é notável – em vez de tristeza pela partida de Jesus, eles experimentam alegria, pois entendem que a ascensão não é uma ausência, mas uma nova forma de presença através do Espírito que seria enviado.

Hebreus oferece uma perspectiva adicional sobre o significado da ascensão, apresentando Jesus como o Sumo Sacerdote que "atravessou os céus" (Hebreus 4:14) e "entrou no próprio céu, para agora comparecer por nós diante de Deus" (Hebreus 9:24). Como nosso Sumo Sacerdote eterno, Jesus "vive sempre para interceder" por Seus seguidores (Hebreus 7:25).

A ascensão de Jesus revela várias verdades transformadoras:

Primeiro, a ascensão completa a exaltação de Cristo, confirmando Sua vitória sobre o pecado e a morte. Como Paulo escreveria: Deus "o ressuscitou dos mortos e o fez assentar à sua direita, nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir." (Efésios 1:20-21)

Segundo, a ascensão estabelece Jesus como Cabeça da Igreja. Paulo continua: "Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância." (Efésios 1:22-23)

Terceiro, a ascensão permite o envio do Espírito Santo. Jesus havia dito: "É para o bem de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheiro não virá para vocês; mas se eu for, eu o enviarei." (João 16:7) A ascensão inaugura uma nova fase da história da redenção – a era do Espírito.

Quarto, a ascensão estabelece Jesus como nosso intercessor celestial. "Cristo Jesus, que morreu e, mais que isso, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós." (Romanos 8:34) Ele apresenta constantemente os méritos de Seu sacrifício diante do Pai em nosso favor.

Quinto, a ascensão garante a preparação de nosso lar eterno. Jesus disse: "Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-lhes lugar." (João 14:2) A ascensão não é uma ausência temporária, mas uma missão de preparação para nossa habitação eterna com Ele.

Sexto, a ascensão assegura o retorno futuro de Cristo. Assim como Ele subiu visivelmente, Ele retornará visivelmente para completar a obra de redenção e estabelecer plenamente Seu Reino.

Você é convidado a refletir: Como a realidade de Cristo entronizado como Rei cósmico afeta sua vida diária? O que significa para você ter um intercessor celestial que compreende suas lutas e apresenta suas necessidades diante do Pai? Como a promessa do retorno de Cristo influencia suas prioridades e decisões?

A ascensão nos lembra que Jesus não é apenas uma figura histórica do passado, mas o Senhor vivo e reinante do presente e do futuro. Sua posição "à direita de Deus" assegura que Sua autoridade, poder e presença continuam ativos em nosso mundo e em nossas vidas. Como os primeiros discípulos, somos chamados a viver entre a ascensão e o retorno – testemunhando com alegria o Reino dAquele que agora reina sobre todo o universo e um dia retornará para estabelecer Seu domínio visível e completo sobre toda a criação.