Editor Bringhenti

CAPÍTULO 47

A Missão Global – Até os Confins da Terra

A Vida do Mestre Jesus O Cristo

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Nas últimas palavras de Jesus antes de Sua ascensão, Ele estabeleceu o que se tornaria o mandato definidor para Seus seguidores: "Receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra." (Atos 1:8)

Esta declaração sucinta encapsula não apenas uma estratégia geográfica (do local para o global), mas também a essência da missão da igreja: receber poder sobrenatural e testemunhar sobre Cristo a todos os povos.

O mandato missionário aparece em todos os quatro evangelhos e Atos, cada versão enfatizando aspectos ligeiramente diferentes:

Mateus destaca fazer discípulos de todas as nações, batizando e ensinando (Mateus 28:19-20)

Marcos enfatiza a proclamação do evangelho a toda criatura (Marcos 16:15)

Lucas foca no arrependimento e perdão de pecados pregados a todas as nações (Lucas 24:47)

João conecta a missão à própria missão de Jesus do Pai (João 20:21)

Atos enfatiza o testemunho capacitado pelo Espírito que se expande globalmente (Atos 1:8)

Estas diversas formulações não são contraditórias, mas complementares – capturando diferentes facetas de uma missão holística que inclui proclamação, demonstração, formação de discípulos e transformação.

A missão global não foi uma ideia tardia ou um desenvolvimento secundário no plano de Deus. Desde o chamado de Abraão, a intenção divina era que "todas as famílias da terra" fossem abençoadas (Gênesis 12:3). Os profetas previam um tempo quando "a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar" (Habacuque 2:14).

Jesus assumiu esta perspectiva global desde o início de Seu ministério. Ele declarou: "Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor." (João 10:16) Ele elogiou a fé de gentios como o centurião romano (Mateus 8:10) e a mulher siro-fenícia (Marcos 7:24-30). E Ele profetizou: "Este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim." (Mateus 24:14)

O livro de Atos registra o desdobramento inicial desta missão global. O evangelho se expandiu organicamente de Jerusalém (capítulos 1-7) para Judeia e Samaria (capítulos 8-12) e eventualmente para "os confins da terra" conhecida na época (capítulos 13-28). Este movimento nem sempre foi fácil ou natural. Frequentemente, foi a perseguição que impeliu os crentes para novas regiões (Atos 8:1). E frequentemente, o Espírito precisou superar relutância cultural, como quando Pedro precisou de uma visão para convencê-lo a entrar na casa do gentio Cornélio (Atos 10).

Paulo emergiu como o apóstolo exemplar da missão global. Em suas próprias palavras, ele se esforçou para "pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido" (Romanos 15:20). Suas viagens missionárias expandiram a igreja pelo mundo mediterrâneo, estabelecendo congregações em centros urbanos estratégicos que, por sua vez, espalhavam a mensagem mais amplamente.

A visão de Paulo para a missão global era fundamentada em uma convicção teológica profunda: o evangelho é para todos, independentemente de origem étnica, status social ou gênero. Ele escreveu: "Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos vocês são um em Cristo Jesus." (Gálatas 3:28)

Desde os tempos apostólicos até hoje, o cristianismo tem sido, em sua essência, um movimento missionário. Embora às vezes impedido por acomodação cultural, nacionalismo, ou falta de visão, o impulso missionário sempre ressurge, impelindo a igreja a novas fronteiras.

O livro do Apocalipse oferece uma visão do resultado final desta missão global – uma adoração multiétnica de proporciones cósmicas: "Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro." (Apocalipse 7:9)

A missão global revela várias verdades transformadoras:

Primeiro, a missão não é primariamente uma atividade da igreja, mas sua própria essência. Como o teólogo Emil Brunner observou: "A igreja existe pela missão, assim como o fogo existe pela queima." Uma igreja sem visão missionária contradiz sua própria natureza.

Segundo, a missão global não é meramente uma empreitada humana, mas fundamentalmente a missio Dei – a missão de Deus. Nós não "levamos Deus" a outros lugares; nós participamos da atividade redentora que Deus já está realizando no mundo.

Terceiro, a missão autêntica é holística, envolvendo palavra e ação, proclamação e demonstração. Jesus não apenas pregou sobre o Reino, mas demonstrou seus valores e poder através da cura, libertação e compaixão pelos marginalizados.

Quarto, a missão global requer contextualização cultural – apresentando o evangelho de maneiras que sejam compreensíveis e relevantes para diferentes culturas, sem comprometer sua essência. Paulo modelou isso quando disse: "Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns." (1 Coríntios 9:22)

Quinto, a missão eficaz flui do poder do Espírito, não meramente de estratégias ou recursos humanos. Jesus especificamente conectou o testemunho global ao empoderamento do Espírito: "Receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas..." (Atos 1:8)

Sexto, a missão global é incompleta até que "todas as nações" (panta ta ethne – todos os grupos étnicos) sejam alcançados. Não se trata apenas de presença geográfica em todos os países, mas de fazer discípulos entre todos os distintos grupos etnolinguísticos.

Você é convidado a refletir: Como você está participando pessoalmente da missão global de Deus? Quais habilidades, recursos ou relacionamentos específicos Deus lhe deu que poderiam ser estrategicamente direcionados para o avanço do evangelho? Existe algum grupo de pessoas pelo qual você sente um encargo especial?

A missão global não é apenas para "missionários profissionais", mas para todo seguidor de Jesus. Alguns são chamados a cruzar fronteiras geográficas, outros a cruzar fronteiras culturais em sua própria comunidade, e outros a apoiar e mobilizar através de oração, generosidade e hospitalidade. Mas todos são chamados a participar de alguma forma.

Como William Temple observou: "A igreja é a única sociedade que existe primariamente para o benefício daqueles que não são seus membros." Esta perspectiva orientada para fora reflete o coração de Deus, que "deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade." (1 Timóteo 2:4)

À medida que participamos da missão global, nos tornamos parte da maior narrativa da história – o propósito redentor de Deus que culminará em um novo céu e uma nova terra habitados por uma comunidade multinacional de adoradores. Nada menos que isso captura a amplitude da visão de Jesus quando Ele enviou Seus seguidores "até os confins da terra."