"Ora, quem é que vos fará mal, se vos esforçais por fazer o bem? Mais que isso, se tiverdes que sofrer por causa da justiça, felizes de vós!" (1Pe 3:13-14). Pedro introduz aqui um dos paradoxos mais profundos da vida cristã – a felicidade no meio do sofrimento por fazer o bem.
A primeira pergunta é retórica e nos lembra que geralmente fazer o bem nos protege de muitos males – a integridade tende a gerar respeito, mesmo em sociedades hostis à fé. No entanto, Pedro reconhece que haverá exceções a este princípio geral – momentos em que sofremos precisamente por causa de nossa justiça e fidelidade.
Nessas situações, ele pronuncia uma bênção surpreendente: "felizes de vós!" Esta afirmação ecoa as bem-aventuranças de Jesus: "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus" (Mt 5:10). É uma felicidade que transcende as circunstâncias, fundamentada na consciência de estar alinhado com a vontade de Deus e na promessa de sua recompensa eterna. Você já experimentou esta "felicidade paradoxal" – uma alegria interior que persiste mesmo quando externamente está sofrendo por fazer o que é certo?