Editor Bringhenti

CAPÍTULO 23

Refutando um Erro

Aprendendo a Palavra de Deus

Examinando as várias traduções inerentes à resposta de Cristo ao malfeitor crucificado, notamos que todas estão em perfeita harmonia com o texto de origem, quanto à interpretação das palavras. A passagem em evidência é a de Lucas 23:43, onde o Senhor Jesus garante a presença de um dos malfeitores no paraíso. Quando lemos a referida passagem, vemos ali a palavra hoje, no grego, símeron. Até aí, todos os tradutores foram igualmente fiéis em suas versões. Porém, há um questionamento a ser feito, quanto à construção das frases em nosso idioma. Pois, de acordo com a versão de João Ferreira de Almeida, e muitas outras, é certo que o Senhor Jesus afirmou ao condenado: em verdade te digo: hoje comigo estarás no paraíso. No original grego: amím si légo, símeron metemú éssi em to paradíço. Entretanto, os arianos admitem que Jesus teria respondido o seguinte: em verdade te digo hoje: comigo estarás no paraíso. Esta versão estaria correta, se o texto original dissesse: amím si légo símeron, metemú éssi em to paradíço (com a vírgula após a palavra símeron). Uma observação: os gregos passaram a usar dois pontos (:) a partir do acordo ortográfico de 1990. Até então em algumas passagens, a vírgula teria que ser igual a dois pontos em nosso idioma. Porém, a referida pausa deve ser mantida na mesma posição do texto original, tal como ocorre em muitos outros.

A definição dos arianos, além de ferir a razão e o bom senso, é contrária ao texto original. No original, a pausa equivalente a dois pontos (:) vem antes do advérbio hoje (hoje = símeron). E, sem dúvida, o deslocamento da pontuação, em alguns casos, altera o sentido da frase; o mesmo acontece, em outras situações, quando não usamos a devida pausa. Exemplificando:

1- Matar o rei não é pecado.

2- Matar o rei, não. É pecado.

Como vimos, deslocar ou não usar a pontuação, pode comprometer a frase. Sem considerar que, nos moldes em que os arianos usam a mencionada frase bíblica, o emprego da palavra hoje seria inútil. Bastando, por tanto, que Cristo respondesse: em verdade te digo: estarás comigo no paraíso. Omitindo a palavra hoje, por ser desnecessária. Para definir bem o que estamos dizendo, façamos uma ilustração. Suponhamos que uma pessoa dissesse a outra: quando você for a Israel, lembre-se de mim, pois eu quero ir, também. Em resposta, seria suficiente que a pessoa afirmasse: sem dúvida eu lhe digo: você irá comigo a Israel. Neste exemplo, se o solicitado afirmasse: sem dúvida eu lhe digo hoje: "você irá comigo a Israel", o uso do termo hoje seria, igualmente, supérfluo. Tal, como na versão dos arianos.

A propósito, a versão "em verdade te digo hoje: comigo estarás no paraíso", tem um sentido duplo, isto é, uma anfibologia, pois as respectivas palavras não definem bem, em que paraíso estará o malfeitor; visto que existe um paraíso no céu. Assim sendo a versão de Almeida é a mais aceitável. Pois, a dos arianos não nos permite afirmar, com clareza, o destino do condenado, se o mesmo estará no paraíso terrestre ou no celeste; tendo em vista a duplicidade de sentido na construção da frase dos arianos; a qual é semelhante à seguinte: o policial prendeu o ladrão em sua casa. Neste exemplo, não podemos afirmar em que casa o policial prendeu o ladrão, devido à duplicidade de sentido.

Por fim, esperamos que os nossos esclarecimentos sejam satisfatórios e que Deus fale melhor aos nossos corações.

Irmão Dionísioirmaodionisio.com.br

PARTE III — A FÉ, A ORAÇÃO E A VONTADE DIVINA

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